Para os especialistas, os pais são os principais formadores do comportamento dos filhos. Cabe aos responsáveis a tarefa de preparar a criança para a vida em sociedade, e isso só é possível com o exercício correto da autoridade parental. Todavia normalmente o que se vê são adultos com dificuldade de impor limites por medo de agir de forma inadequada e de bloquear o desenvolvimento dos filhos.
A crise da autoridade
A deficiência de autoridade parental é real e, segundo muitos estudiosos, decorre da interpretação extremada da ideia “é proibido proibir”, tão difundida nas décadas de 60 e 70. Parte expressiva dos pais de hoje foi formada com essa convicção e agora encontra barreiras para impor restrições aos filhos. E esse problema já apresenta reflexos negativos nos mais diversos campos da sociedade – falta de ética na política, alunos agredindo professores, profissionais da saúde negando atendimento, etc. -, afinal, quem não desenvolve a consciência dos limites ainda na infância tende a tornar-se um adulto com atitudes descomedidas em todas as áreas da vida.
Autoridade não é autoritarismo
Enquanto o autoritarismo se caracteriza pelo uso do poder de maneira exacerbada, sem abertura a questionamentos, a autoridade deve ser entendida como o exercício justo e responsável de estabelecer limites fundamentais à boa convivência. A confusão entre os dois termos é o que leva muitos pais a abdicarem do papel de educador, permitindo que a criança faça tudo o que deseja. É fundamental perceber, no entanto, que a imposição de limites, feita de modo equilibrado, é um gesto de amor que permitirá à criança ser capaz de conviver com os outros e, ao atingir maturidade suficiente, construir seu futuro.
Importância dos limites para a criança
De acordo com especialistas, a recusa às regras por parte dos pequenos é na verdade uma busca pelo aprendizado. Assim, se crescerem sem a noção de limites, eles terão grande chance de se tornarem adultos frustrados com os “nãos” da vida.
Segundo muitos autores da área, o senso de consideração pelos outros é formado em casa. É no lar que se compreende que o respeito é uma via de mão dupla. Crianças que se desenvolvem num ambiente em que a autoridade é exercida de forma apropriada se sentem seguras e respeitadas, pois conseguem perceber que a submissão se deve à regra e que os próprios pais estão submetidos à restrição.

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A punição na medida certa (sem violência física nem psicológica) também é importante para reforçar as palavras e ensinar que todo ato tem uma consequência. Desde que os pais equilibrem a atitude punitiva com a desobediência cometida, o ato é válido e certamente eficaz.
Quando os responsáveis assumem a autoridade em casa, o surgimento de conflitos é inevitável, uma vez que as crianças tendem a opor-se às regras. Não temer essa situação e compreender que tais tumultos geram crescimento significa cumprir o dever de educador.
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